Sexta Geek | A diferença invisível, de Mademoiselle Caroline e Julie Dachez

 


Marguerite se indaga sobre o que é normal.

Sinopse: Marguerite tem 27 anos, e aparentemente nada a diferencia das outras pessoas. É bonita, vivaz e inteligente. Trabalha numa grande empresa e mora com o namorado. No entanto, ela é diferente. Marguerite se sente deslocada e luta todos os dias para manter as aparências. Sua rotina é sempre a mesma, e mudanças de hábito não são bem-vindas. Seu ambiente precisa ser um casulo. Ela se sente agredida pelos ruídos e pelo falatório incessante dos colegas. Cansada dessa situação, ela sai em busca de si mesma e descobre que tem um Transtorno do Espectro Autista – a síndrome de Asperger. Sua vida então se altera profundamente.


Eu fiquei meio receosa de começar A diferença invisível. Ele estava há anos na estante, mas toda vez eu olhava e pensava "Vou sofrer quando ler isso" e uma coisa é chorar com romance, outra é chorar com drama. Se você não sabe a diferença desses choros, você não leu um ou outro.

A Marguerite é uma jovem que tem seu trabalho, seu apartamento, um namorado e seus pets. Ela prefere ficar em casa ao invés de ir a festas cheias de gente, ela adora e faz muito bem o seu trabalho, mas estar perto de tantas pessoas, falatório e pressões do escritório é demais. Jantar com amigos do namorado ou uma noite tranquila com seus pets debaixo do edredom? Mas uma hora a pressão de outras pessoas é demais e alguém sugere que ela vá consultar um especialista. 

O que você deve saber sobre essa quase biografia (é baseada na vida de Julie Dachez) é que o fato de que mulheres são mal diagnosticadas é muito bem colocado aqui. Recomendo essa matéria chamada Estereótipos impedem que mulheres com autismo se relevem

A personagem passa um bom tempo até ter um diagnóstico real e reforço para você, leitora: Diagnósticos reais demoram. 

Um diagnóstico de autismo e qualquer coisa no espectro não vai vir de um médico que te viu por quinze minutos. São vários exames, especialistas e meses de pesquisa e análise. Aliás, nada que envolva a mente vai vir no estalar de dedos. 

Após a confirmação, muitos meses depois, Marguerite parece que recebe uma iluminação: Ah, é isso que eu tenho e não é um bicho de sete cabeças. Ela passa a se conhecer mais, reconhecer seus gatilhos, o que pode ou não aguentar em certas situações e podar tudo ao seu redor. Isso inclui companhias, que antes ela tinha que "aturar". Ela se vê mais leve e isso flui nas páginas com os traços de Mademoiselle Caroline.

Julie brinca com as definições de normal e anormal, o que a sociedade espera e aceita de suas pessoas e que, às vezes, o melhor é aceitar suas diferenças.


A diferença invisível pode falar com todo mundo que já se sentiu um peixe fora d´água, mas é essencial com quem foi diagnosticada com a síndrome de Asperger e/ou está no Espectro Autista.


A diferença invisível
Autoria: Mademoiselle Caroline e Julie Dachez
Tradução: Renata Silveira
Editora: Nemo
Lançamento: 2017
Modelo / páginas: Físico / 192
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Renata Pamplona
PUBLICADO POR

"Lendo e resenhando muita coisa da cultura pop. Inevitavelmente Geek e apaixonada por mais personagens fictícios que pode contar." Contato: umapamplona@gmail.com

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