Pausa Viu | Retrato de Uma Jovem em Chamas (2019)


Um filme muito além do período que retrata...

Sinopse: Marianne é uma jovem pintora na França do século 18, com a tarefa de pintar um retrato de Héloïse para seu casamento, sem que ela saiba. Passando seus dias observando Héloïse e as noites pintando, Marianne se vê cada vez mais próxima de sua modelo.


Felizmente tive o prazer de assistir esse filme no cinema. Não que na telinha da tv ou de um notebook deixará de ser um filme lindo, mas o impacto certamente é outro. Não inferior, só diferente.

A sinopse parece bem simples e quando você vê o trailer tudo que consegue pensar é que essas mulheres vão se envolver, mas o filme não é tão raso assim. "O retrato..." é tão atual quanto qualquer filme retratando mulheres no mundo em que vivemos agora. 
Esqueça a bobajada liberal de "feminismo é escolha". Que escolha? Que escolha estamos podendo fazer desde sempre e a relação de Marianne e Héloïse indaga justamente isso: até onde vai a sua liberdade?
Você é livre se pode escolher sua carreira, mas vai ser julgada por isso. Vão te colocar o dedo na cara se não acatares uma certa caixinha para se encaixar. Marianne sente o peso da pseudo-liberdade.
Héloïse está prometida em casamento, depois de viver boa parte da sua vida em um convento, só saiu para o enterro da irmã e agora parece que vai de uma prisão para outra. Até correr em direção à morte parece um vento fresco do que estar presa à decisão de outros.

Para a mãe de Héloïse, um retrato da sua filha para seu futuro marido é o que vai "selar" a decisão, assim como foi decidido seu futuro há anos atrás para seu falecido marido, e Marianne chega à ilha com uma tarefa: terminar o retrato, já que Héloïse se mostra indisposta a colaborar com outros artistas, mas tem um detalhe: A jovem artista não pode contar à Héloïse que é pintora. Ela está "disfarçada" como dama de companhia e assim passam seus dias: manhãs ou tardes recreacionais pela ilha e à noite, pintando Héloïse apenas pela memória.
As coisas mudam quando a mãe de Héloïse viaja e deixa as jovens em casa e a convivência deixa claro que parceria temporária não é a única coisa entre elas. 

Com o crescente envolvimento das duas, praticamente ouve-se um tic tac... O tempo delas está terminando.
Héloïse descobre quem Marianne realmente é e posa para finalizar o quadro (culminando no relacionamento amoroso das duas) e para formar um trio de amigas, a criada Sophie entra no jogo, meio que confidente das duas e também precisando de ajuda quando se vê na situação difícil de precisar de um aborto e aí, meus amigos, abre-se um leque de um círculo maravilhoso de mulheres dispostas a se ajudar, não importando seus passados e para onde irão. O que importa é aquele momento na ilha.
O fim... É o que é.
Passaram muitas coisas pela minha cabeça ao assistir o filme: Foi tudo um sonho? Uma ilusão o título do filme? Será se pode-se dizer que foram felizes novamente no amor? Por que, nós mulheres, ainda temos que abrir mão de tanta coisa por expectativas e obrigações que só irão nos deixar tristes? Essa necessidade de agradar o mundo e todos têm de acabar.
Amores começam e nem sempre nos deixam, mas as pessoas que passaram (sejam amantes ou amigas), sempre marcam, e a diretora Céline Sciamma é um gênio.


Retrato de Uma Jovem em Chamas
Diretora: Céline Sciamma
Elenco: Noémie Merlant, Adèle Haenel e Luàna Bajrami
Lançamento: 2019
Distribuidor: Supo Mungam Films
Duração: 119 min
Renata Pamplona
PUBLICADO POR

"Lendo e resenhando muita coisa da cultura pop. Inevitavelmente Geek e apaixonada por mais personagens fictícios que pode contar." Contato: umapamplona@gmail.com

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