Resenha | Você acredita mesmo em amor à primeira vista?, da Fabi Santina


Você acredita?

Sinopse: Quando nos deparamos com o amor pela primeira vez podemos perder as estruturas, fazer loucuras, viver com mais intensidade e acabar até nos esquecendo de nós mesmos. Não que amar não seja bom, mas é que ele não vem com manual de instruções, nos deixa perdidos, sem saber como agir e anestesiados. O amor por si só deveria se bastar! Mas nem sempre é assim. Somos seres humanos, queremos mais, criamos expectativas e sonhamos longe. Então vem a vida nos ensina a viver um dia de cada vez...Levei muitos tombos, engoli alguns (muitos) sapos e passei por poucas e boas. Quem nunca, não é mesmo? Mas uma lição aprendi: é impossível amar o outro se você não aprendeu a amar a si mesmo. Este livro é sobre o amor verdadeiro, mas também sobre o amor que devemos aprender a nos dar, mesmo que não seja à primeira vista.
Você acredita mesmo em amor à primeira vista?

AVISO DA COLABORADORA: Esta resenha contém raiva, frustração e spoilers. Siga avisada.

Então... Você leu o aviso acima, não é? Eu tenho que te deixar mais um: infelizmente para algumas plataformas e felizmente para mim, o radar de embustes aqui é afiadíssimo e SIM, o tal de Le, boy da Fabi, é um dos maiores embustes que já li. E vocês sabem que eu sou rodadíssima de romance, hots, e romcoms!

Minha nossa senhora da raiva literária... Eu não passava tanta raiva assim desde... Não lembro quando. E saber que essa história é REAL é pior ainda.
Ela começa na adolescência da Fabi (que a única coisa que sabia ao pegar o livro é que ela é blogueira, mas não fui atrás de nada do conteúdo dela). Ela se chama de destemida, focada, mas as únicas características que posso dar a jovem até o final da história (aqui no livro) é que até seus vinte e poucos, a Fabi é mimada, pentelha, a típica mulher heterossexual perfeita filha do patriarcado: a que vive pela atenção masculina.
A moça até tenta. 
EU JURO que vi a tentativa, mas o texto é fraco. 
Pense em como ler um diário, mas um diário de uma menina de 13 anos lá em 1994. Ela trama para conseguir ficar perto do objeto de seu desejo, manipula amigos como fantoches, passa por cima do desejo EXPRESSO E CLARO dos outros só para conseguir o que quer, mesmo que cause desconforto em outra pessoa. Isso não é foco, gata. É Stalker & Sociopathy School de primeira linha.
Apesar de mencionar escola, seu amor por balé, seu trabalho... TUDO se resume ao macho.
Ela menciona, certa parte do livro, que a mãe dele faz de tudo por ele e a casa gira em torno do que ele quer, mas ela é exatamente a mesma coisa: está sempre a postos quando ele quer, atura comportamentos absurdos E ABUSIVOS dele. Ghosting? Aqui tem.
Homem sonso para ter mulher a seu dispor? Aqui também.
Chantagista emocional? Também.
Quando eu pensava em alguns momentos que ela ia se libertar... Vish... Sonhei. 
Chorei, mas de pena. De saber que ela e milhares ainda estão presas nessa rodinha de hamster.
Sabe o que é mais triste. Certas situações que ela passou eu também já passei. Aliás, qualquer mulher em relacionamento heterossexual já passou pelos problemas aqui. O pior? Muitas das vezes nem sabemos identificar o que é ou não abusivo e acabamos vendo apenas como "ah, é o jeito dele", "ah, homem é assim".
As advogadas de macho que vierem comentar, não responderei, porque eu tenho certeza absoluta que já usaram algumas das frases acima. Eu só desejo que vocês se perguntem: se fosse o contrário e homem visse uma generalização sobre mulher, qualquer um deles partiria em sua defesa imediata tal qual você está querendo defendê-los?
Com a força de vontade (se é que posso chamar assim) da Fabi, se não fosse o foco dela o "amor" desse homem, ela poderia ter sido o que quisesse: Artista aclamada mundialmente, cientista para descobrir a cura de uma doença, astronauta, CEO da fucking Chanel!
Às mulheres presas em relacionamentos ruins assim, eu desejo que vocês procurem à libertação ao reconhecer os sinais e saibam quando partir. Que vocês redirecionem esse "foco no amor" por amor também, mas à você mesma.

MAIS UM AVISO: É a tal da coisa: esse livro NÃO serviu para mim, mas pode servir para você. Se você está lendo essa resenha e quer ler esse livro, me manda um email para umapamplona@gmail.com que eu mando para você esse livro. E, se quiser, me avisa também se quiser que eu tire minhas marcações de post-it dele, ok? Um beijo.

UMA RESPOSTA: Não, eu não acredito em amor à primeira vista. Acredito em atração à primeira vista. Também acredito em cuidado, carinho e reciprocidade, ou seja: uma relação saudável.


Você acredita mesmo em amor à primeira vista?
Autora: Fabi Santina
Selo / Editora: Outro Planeta / Planeta de Livros
Lançamento: 2018
Páginas: 223
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Renata Pamplona
PUBLICADO POR

"Lendo e resenhando muita coisa da cultura pop. Inevitavelmente Geek e apaixonada por mais personagens fictícios que pode contar." Contato: umapamplona@gmail.com

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