Resenha | Notas de Liberdade, de Fred Elboni



"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome." Clarice Lispector

Sinopse: Mariana, Sofia, Luiza. A desencanada, a romântica, a workaholic. Três mulheres. Três destinos. O que elas têm em comum? O dono de seus pensamentos. Não, elas não estão apaixonadas pelo mesmo homem. Na verdade, elas são ele: Fred Elboni.
Mariana é uma menina desencanada, que todo mundo acha que só quer curtir a vida sem se envolver com ninguém, quando, no fundo, ela está em busca do cara que a fará querer sossegar.
Sofia é uma menina-moça, romântica e inocente, que é forçada a encarar a vida adulta quando um acontecimento inesperado atinge sua família. Como podemos crescer diante da dor?
Luiza sempre batalhou para chegar aonde queria e fez tudo sem pensar no que estava deixando para trás. Será que ela abriu mão de algum outro sonho por medo de isso atrapalhar sua carreira ou, pior, por achar que perderia sua liberdade?
Em Notas de Liberdade, Fred dá voz a essas mulheres e nos leva a mergulhar no mundo de cada uma e, por reflexo, no nosso próprio mundo também. O que elas conversam com o teto do quarto antes de dormir? Quais são seus sonhos, seus medos, suas dores? O que afinal realmente importa?
 

Comprei Notas em 2018. Dias depois de ficar sabendo que o Fred estaria vindo para Belém autografar seu novo livro. Queria todos dele autografados, mas a gente é assim com nossos livros favoritos, não é? Tem livro que nem li e já sei que é hino, só pelo autor. Talvez seja um caso, um pouco, da gente ler o Fred. É o que queremos e, em muitos momentos, precisamos ler para acalentar, dar coragem e simplesmente colocar a mão no coração, sorrir e dar um "ok" olhando para o teto.
Nesse livro, um pouco diferente dos seus outros, o cara dá voz à três mulheres. Cá entre você, leitora, e eu: adoro ler pontos de vista masculinos escritos por mulheres. Nem é segredo, é só ver minhas resenhas e leituras lá no goodreads.
As três mulheres da cabeça do Fred são meio campanha da Melissa nos anos 90: sempre igual, sempre diferente. Elas podem ter suas diferenças em personalidades, mas uma coisa perdura entre elas: São todas sonhadoras.
A Mariana é artista, é o carpe diem encarnado e ama amar, se entregar, se envolver e conhecer. É a Alice do amor: sempre curiosa. Me vi toda. Ainda bem que não comecei a marcar com caneta ou teria rabiscado essa primeira parte todinha.

A Sofia, bem... VEJA BEM... a Sofia me irritou. A sua inocência e jeitinho jeca estão lá embaixo no quesito pessoa que me atrairia para conversar. A lerdeza de algumas pessoas me irrita. Dependência me repele.
Hoje mesmo li um post em uma rede social por aí que dizia algo tipo: não devemos nos forçar a amar o oposto. É oposto. Atração é um fator decisivo em relacionamentos e não estou falando de física. Estou falando em gostos culturais, como enfrentamos certas situações na vida. A vontade que eu tive inúmeras vezes foi que a Sofia fosse real e eu pudesse pegá-la pelos braços, chacoalhar e "EI, VEM PRO MUNDO REAL. AQUI TUDO DÓI. A gente sangra e tem que continuar."
E a Luiza... Ah, minha pequena mulher Luiza. Queria te dar o mundo. Queria que fosse de verdade para poder abraçar e poder dizer que está tudo bem se sentir sozinha, ser ambiciosa, não querer caber na caixinha que outros se acomodaram, que ela não fez nada de errado (bem, a não ser deixar um pouco os amigos de lado, aí a gente tem que conversar, Luiza).
As três amam, se descobrem, se reinventam, se libertam e voltam a amar, adorar no ciclo sem fim (tô em Rei Leão vibes #mimdexa).
Notas pode ter algo que várias mulheres podem se identificar pelo menos com uma coisinha! Uma característica só, e às vezes, é tudo que a gente precisa.



Notas de Liberdade
Autor: Frederico Elboni
Editora: Benvirá
Lançamento: 30 de novembro de 2017
Páginas: 232
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Sobre o Fred:
Fred Elboni nasceu em 1991, em São Paulo. Formado em Publicidade e Propaganda, é escritor, roteirista, palestrante e várias outras coisas que envolvem gente, viagens e comida. Foi roteirista do programa Amor & Sexo da TV Globo (2011-2012), fundou o portal EOH e é fascinado pelo comportamento humano e suas facetas. Em todas as redes sociais em que é ativo, gosta de mostrar às pessoas como tudo pode ser simples. Quando está escrevendo, conversando com as pessoas na rua ou simplesmente vivendo, tenta, sempre que possível, lembrar-se de que o segredo da vida está na busca pelo meio-termo. E, sim, escreve seu perfil em terceira pessoa porque acha que dessa maneira passa mais credibilidade.
Renata Pamplona
PUBLICADO POR

"Lendo e resenhando muita coisa da cultura pop. Inevitavelmente Geek e apaixonada por mais personagens fictícios que pode contar." Contato: umapamplona@gmail.com

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