[Resenha]: Enterre seus mortos - Ana Paula Maia


“ Tomás e Edgar Wilson acenam com a cabeça, fecham o porta-malas, entram no carro e dão a partida. Antes de arrancar do lugar, Edgar Wilson coloca a cabeça para fora da janela e fala para Geraldo:
_ Da próxima vez enterre seus mortos. ”

Sinopse: Edgar Wilson é "um homem simples que executa tarefas". Trabalha no órgão responsável por recolher animais mortos em estradas e levá-los para um depósito onde são triturados num grande moedor. Seu colega de profissão, Tomás, é um ex-padre excomungado pela Igreja Católica que distribui extrema unção aos moribundos vítimas de acidentes fatais que cruzam seu caminho. A rotina de Edgar é alterada quando ele se depara com o corpo de uma mulher enforcada dentro da mata. Quando descobre que a polícia não possui recursos para recolhê-lo, o funcionário decide rebocar o cadáver clandestinamente até o depósito, onde o guarda num velho freezer, à espera de um policial que, quando chega, não pode resolver a situação. Nos próximos dias, o improvisado esquife receberá ainda outro achado de Wilson: o corpo de um homem. Edgar e Tomás não se abalam diante da morte, mas conhecem a fronteira entre o bem e o mal, o homem e o animal. Por isso, os dois decidem dar um fim digno àqueles infelizes cadáveres. Em sua tentativa de devolvê-los ao curso da normalidade, palavra fugidia no universo que Ana Paula Maia constrói magistralmente, os dois removedores de animais mortos conhecerão o insalubre destino de seus semelhantes. Com uma linguagem seca, que mimetiza as estradas pelas quais o romance se desenrola, a autora faz brotar questões existenciais de difícil resolução. O resultado é uma inusitada mescla de romance filosófico e faroeste que revela o poderoso projeto literário de Maia.




Confesso que não tive muita direção para escrever esta resenha. Porque, não saberia se a história seria de terror ou não. Mas, eu classifiquei de uma forma mais fácil para eu entender e vocês, leitores e leitoras. Vamos fazer um passeio na caminhonete de Edgar, um removedor de animais mortos em estradas. Ah! Cuidado com que vocês possam ver. 

Digo a vocês que essa história é nacional, isso mesmo, uma autora brasileira. E é brilhante! A história se passa em uma cidade bem distante da capital, um removedor de animais mortos de beira de estrada, o Edgar faz o seu trabalho normal. E temos outro personagem importante, um padre, no caso ele foi excomungado, Tomás.

Eles trabalham no mesmo lugar. Mas, o que Edgar e o Tomás tem incomum? Uma situação muito estranha acontece. Edgar é chamado pelo rádio da caminhonete para remover um animal em uma estrada. Porém, não era um animal. Era um corpo de uma mulher enforcada sem identificação, sem nada. Edgar não quer deixar o corpo no local, ele leva o para o depósito onde ficam as carcaças dos animais. Aqui temos algo interessante, a verdade do descaso das pessoas pelo governo. O local que deve ser enviado os cadáveres, o carro, o único, está quebrado. Então, a polícia deixa uma faixa com identificação no freeze. Para não mexer, que é propriedade da polícia local. Acontece que ninguém vai buscar o cadáver e nem procurar saber quem é a mulher morta. 


Essa situação deixa Edgar chateado, ao ponto de temer encontrar outro corpo. Dito e feito, em outro dia ele encontra um corpo de um homem sendo quase devorado por aves. Ele e o Tomás, colocam na caminhonete, e levam para o depósito. E coloca no freezer juntamente com o corpo da mulher. O padre Tomás distribui a extrema unção para vítimas de acidentes em estrada. A história dessa questão dele ser excomungado é revelado na história, e é um pouco assustador, na verdade. 

A aventura, por assim dizer, começa quando ambos tentam achar uma resposta sobre esses corpos. Aqui também temos a falta de fiscalização no âmbito médico, porque os corpos são colocados em salas, que estão empilhados. Como fosse o IML, mas sem gavetas onde puxa para a identificação do corpo. Acontece um processo de distorção de dinheiro dentro lugar e também com os funcionários. Algo que me chamou muito atenção também, é o valor que cada cadáver tem. Se o corpo está em bom estado, e se ele tem objetos de valor. Assim é divido entre os funcionários. Depois desse terror psicológico, Edgar e Tomás acabam descobrindo quem era a mulher e o homem. Isso deixo vocês lerem.

Enfim, gostei muito dessa história, temos um Brasil esquecido, a falta de valores éticos e morais, falta de um governo para uma população sem o básico de vida. Acredito que o livro mostra a realidade que vivemos hoje, e de uma forma tão inteligente através da literatura isso nos alcança. E tem gosto das obras do Kafka, para quem já leu ou tem conhecimento. Leiam essa história, é bem rápida, mas ao mesmo tempo fantástica a cada capítulo. Para mim esta obra é um pouco de tudo: terror psicológico, uma distopia, uma novela policial e dentre outros termos. Deixo para vocês, leitores e leitoras descobrirem esse universo pouco explorado na literatura, um pequeno Brasil distorcido. Até a próxima. 

O livro não é de terror.
Minha reação: 




Enterre seus mortos
Autor(a): Ana Paula Maia
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2018
Livro físico: 131 páginas
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Ana Paula Maia
Ana nasceu no Rio de Janeiro. É autora de sete romances, entre eles Carvão animal, De gado e homens e Assim na terra como embaixo da terra. Tem contos publicados em diversas antologias, entre elas 25 Mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record, 2004) e Sex´n´Bossa (Mondadori, Itália, 2005).
Andrea Machado
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"Sou altruísta, um pouco louca ( do bem), tenho poucos amigos, adoro irritar as pessoas, meu humor é considerado “negro”. "

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