A ditadura da perfeição literária.


Em primeiro lugar, eu gostaria de deixar bem claro que eu não faço a mínima ideia do que estou fazendo aqui, mas… agradeço de coração pelo convite – mesmo acreditando que essas pessoas têm mais problemas que eu, já que me convidaram, enfim – Então, se você conseguiu passar dessas primeiras linhas cheias de nada com coisa nenhuma é um bom começo. 

Agora segura na mão de Deus e vem comigo, afinal eu nunca te pedi nada. 

Como autora, algumas pessoas costumam achar que as palavras fluem com naturalidade, como água brotando de uma nascente… miga, para, não é nada disso não. Ta mais pra água brotando daquela barreira que volta e meia tá seca e só fazendo a dancinha da chuva pra cair umas gotinhas… e ainda assim… 

Então, depois de alguns dias fazendo minha dança particular da chuva para ver se pensava em algo – útil – para apresentar aqui no blog, até porque preciso fazer valer a pena o convite né mores? Choveu em Belém, choveu na horta alheia, choveu até no inferno. Mas, ideias? Acho que preciso mudar os rituais. 

Aí comecei a minha saga, comecei a seguir Booktubers, coisa que mesmo sendo autora e vivendo nesse meio literário há séculos eu não fazia – me jugue – para ver ser rolava alguma inspiração para o primeiro post… confesso que estou até agora assistindo vídeos e peguei umas dicas bem legais de livros. Mas, ideias? … 

É aí que bate aquele desespero e você corre para o pote de biscoito e mergulha no café, e bem… nada ainda, mas engordei uns quilos e to ligada de tanto café… 


E pra quê eu falei tanta asneira aqui no primeiro post do blog? Era para ser épico, uma grande entrada com direito a tapete vermelho, flashs pipocando e eu dando tchauzinho de princesa. (Fica a dica). Já que não foi nada disso (ainda sugerirei o lance dos tapetes) eu fico com minha ideia inicial de falar um pouco sobre a ditadura da perfeição literária. 

“Quidiaboéisso?” bem, é quando – vou falar como autora – nós nos cobramos tanto para escrever com perfeição, com eloquência e acabamos fazendo textos monótonos onde os leitores precisam ser íntimos do Aurélio para entender uma simples descrição de paisagem (juro que uma vez li um livro onde as folhas eram descritas com tanta precisão que me senti ignorante). 

Ou seja, migos, seja lá qual for a sua ideia, seja breve e leve, os leitores agradecem. Já sofremos pressão suficiente do meio, e explicar em um livro sobre como a repimboca da parafuseta surgiu é de doer. Agora, profissionalmente falando, há casos e casos, você como autor vai saber identificar o momento que o seu livro pede uma narrativa mais descritiva, com uma linguagem coerente com o enredo. Ai Brasil, quando você souber identificar isso pode cantar o hino da vitória que você chegou lá, ou quase. 

Hoje em dia é comum vermos posts de autores nacionais nas redes reclamando ora sobre vendas, ora sobre número de leitores – o famoso mimimi literário #dicapraoutropost – talvez seja hora de levantar a cabeça, sacudir a poeira, ignorar a rinite e dá um UP, cobrar-se menos perfeição, e quando eu digo menos perfeição não é ignorar o profissionalismo tá gente? Soltar um livro sem revisão, com capa do Google… não rola, não é por aí… mas sim, tentar cobrar menos perfeição de si mesma, se comprar menos com aquela autora estrangeira best seller do NY, e em vez de lamentar, se inspirar. 

A ditadura da perfeição literária tá aí, cobrando sua alma, criticando suas leituras… dá uma voadora nela, e mostra quem manda. Autenticidade e profissionalismo é tudo nessa vida. ;) 

Ahh… e se quiserem dar dicas e sugestões para o próximo post, comenta aí e não me faz perder o job logo de cara.

Andy Collins
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