Sexta Geek: Y - O último homem


Um mundo sem nenhum mamífero do sexo masculino. Utopia ou distopia?
Sinopse oficial: Em 2002 a Terra mudou para sempre. Todas as criaturas com um cromossomo Y morreram instantaneamente ao redor do globo. Com a perda de mais da metade da população, a sociedade está à beira do colapso e cabe às mulheres o fardo de juntar os pedaços e tentar manter nossa civilização, mas esse "generocídio" não foi tão completo assim. Por alguma misteriosa razão, Yorick e seu macaco de estimação foram poupados do extermínio. Do dia para a noite, esse desconhecido de vinte e poucos anos virou a pessoa mais importante do planeta e a chave para decifrar o mistério que varreu o sexo masculino do mapa. Só que para ele a pessoa mais importante do planeta é sua namorada, e ela está no outro hemisfério, na Austrália. E nada o impedirá de ir ao encontro dela.

Bem, tirando a parte do generocídio (Eu tô rindo muito com essa palavra), a sinopse é super rasa e não te entrega nem 1/5 do que rola nessa HQ. A minha edição é a gringa, mas assim como a brasileira de edição volume 1, contêm os 10 primeiros volume dessa série.
Há vários núcleos nesse Livro 1 e não tem essa coisa de explicar o que aconteceu por enquanto, pelo contrário, o mundo está prestes a entrar em colapso pelas mortes instantâneas com uma contagem regressiva que foi me deixando aflita. Um casal jovem fala ao telefone com ele em Nova Iorque e ela em algum lugar selvagem da Austrália, uma membra do congresso em Washington, uma equipe de repórteres e soldadas na Cisjordânia, uma cientista em Jordão, uma doutora entrando em trabalho de parto em Massachusetts e finalmente a morte de todos os homens ao redor do mundo... Nada linda, nada de arrebatamento. Basicamente eles sangraram e seus sistemas entraram em falha ao mesmo tempo no mundo todo. E daí começamos...


Alguns meses depois vemos como o sistema patriarcal ruiu e com o generocídio só prejudicou as mulheres: muitas profissões eram exercidas principalmente por homens e alguns sistemas (eletricidade, tecnologia, transportes, engenharia, política) ruíram ou ficaram (por enquanto) irreparáveis.
Por outro lado... violência diminuiu. Por que será.....?
Os benditos frutos que sobraram na terra (humano) foi o Yorick, um rapaz de vinte e poucos anos, desempregado, que tira uns trocados como mágico nas ruas, e seu macaco, Ampersand. Primeiro ele é achado por uma espécie de gari, na verdade uma modelo que não tem mais serventia no mundo atual (engraçado como os padrões de beleza caíram sem homens para consumir, não é?), e Yorick já ganhou minha antipatia nesse encontro. Literalmente se achando o último biscoito de pacote. Queridos, em um apocalipse onde aparentemente todos os homens morreram, não acredite que você vai ser explorado sexualmente só porque é o que homens fariam.
Ele segue viagem até Washington em direção à sua mãe, que trabalhava no Congresso. E sim, a maior potência mundial se encontra sem presidente e nenhum representante à vista. Sua mãe tenta mantê-lo à salvo, mas claro, Yorick arranja sarna para se coçar e dá de cara com a próxima Presidenta dos EUA e umas conservadoras de direita prontas para passar uma vergonha. 
Durante toda história algo bem legal que o Brian K. Vaughan faz em todos seus quadrinhos: críticas à sociedade atual. Nesse Volume 1 vamos ver críticas ao patriarcado, extremismo, violência, racismo e mais.


Yorick ganha uma missão da nova Presidenta: ir com uma agente secreta e recuperar uma bióloga cuja pesquisa pode ser muito importe no auxílio a trazer os homens e todos os seres com cromossomo Y de volta com a repopulação. 


No caminho, Yorick conhece as Filhas das Amazonas, um grupo extremista que prega pela superioridade feminina e não tem interesse em ver homens novamente andando pela Terra, sai queimando bancos de espermas e impedindo mulheres de estarem de luto pelas suas perdas. Depois aprende-se que é basicamente um cult com a líder Victoria. Algo igualmente perigoso e que veremos novamente nos outros Volumes (Ou assim espero).
Ao recuperar a Dra. Allison, Yorick e a 355 (a agente) encontram o imprevisto de que a Dra. foi sabotada: sua pesquisa perdida no laboratório atual e o outro laboratório está do outro lado do país. Eles embarcam nessa próxima etapa da missão e no caminho encontram uns problemas (mais problemas? Sim, mais!) e acabam na pequena cidade de Marrisville, Ohio, gerada por mulheres, mas que aparentemente não sofreu um impacto tão grande pois elas têm seu próprio sistema agrícola  e de energia. Claro, a pacífica Marrisville também tem um segredo e Yorick chega à cidade para balançar as estruturas.
Não basta ser o único homem da Terra. Tem que ser o insuportável, mimado, despreparado e impulsivo. Até o final da HQ eu fiquei me perguntando se tinha sido tão maldição assim se livrarem dos homens porque se o Yorick é a amostra grátis de desgraça, imagina o produto final.
Brian não dá ponto sem nó e Yorick tem esse nome por causa de uma peça de Shakespeare (seu pai era professor). Pouco se sabe sobre o personagem do clássico Hamlet, a não ser que era um bobo da corte (apropriado) ligado à vaidade e à inevitável morte.


Já que estamos falando de Yorick, vamos falar de Hero também. Hero é sua irmã, que está naquele culto / grupo extremista que mencionei lá em cima. Não posso falar muito do que acontece com eles, pois seria spoiler, mas certeza que verei a personagem novamente no Volume 2 e ela vai dar muito trabalho para a missão dele. 
Mal posso esperar para conseguir o Volume II, pois tenho certeza que será tão bom quanto e já é uma das minhas Graphic Novels favoritas!


Y - O Último Homem
Série: Y - O Último Homem #1
Autor: Brian K. Vaughan
Editora: Panini, Vertigo
Ano: 2015
Livro Capa dura/256 páginas
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Brian K. Vaughan
Brian K. Vaughan (Cleveland, 17 de julho de 1976) é um escritor de histórias em quadrinhos e roteirista de televisão. Entre seus trabalhos de maior sucesso estão o quadrinho Y: The Last Man e alguns episódios para a famosa série Lost, além de ter sido o principal produtor-executivo e roteirista da primeira temporada da série Under the Dome.
Renata Pamplona
PUBLICADO POR

"Lendo e resenhando muita coisa da cultura pop. Inevitavelmente Geek e apaixonada por mais personagens fictícios que pode contar."

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