15 janeiro 2018

[Resenha] : O amor nos tempos do ouro - Marina Carvalho


“ - Amo-te - declarou ele, com simplicidade. - Amo-te.
Tudo em Cécile se agitou naquele momento. Ela mal conseguia respirar, enquanto o olhar prateado de Fernão penetrava o dela.”

Sinopse: Cécile Lavigne é uma franco-portuguesa que veio ao Brasil consolidar um casamento arranjado com um aristocrata de Minas Gerais, dono de terras e de escravos, bem mais velho do que ela, e por quem ela sente profundo desprezo. Enquanto lida com o turbilhão de sentimentos que a desequilibra, Cécile viverá diversas provações nessa nova terra que será sua casa, e talvez se entregue a um grande amor. 
Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-to os lábios meus, - mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti. - Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.
Gonçalves Dias, “ Como eu te amo”, em Últimos cantos 

Esta belíssima obra com o gênero romance histórico brasileiro, é um encanto de leitura. História do Brasil; Era do Ouro;Escravidão;Amor.Tem tudo isso e muito mais. Para vocês que achavam que sabiam sobre História do Brasil….Estão enganados. Aqui eu aprendi uma boa parte da nossa História que não era bem contada pelos livros e professores. Eu convido vocês, leitores e leitoras, a embarca em uma aventura de conhecimento e de uma história de uma mulher, de um homem, de benfeitores e malfeitores. Laissons l'histoire commencer! * Que a história comece! 

A história é baseada na Era do Ouro no Brasil,vocês lembram disso?! Vamos puxar na memória as aulas de História. Aqui temos uma moça Cécile, que está embarcando para chegar no Brasil, para se casar com Euclides, um homem de posses e rico, nada bom. Cécile perdera os pais e os irmãos em um naufrágio. Agora, está sozinha e não pode ficar com a herança que tem, pois ainda é jovem. E o tio dela, trata tudo para que ela se case com Euclides, mas tudo tem o seu interesse. Cada um vai ficar com uma parte do dinheiro, esse é o plano.

Até então, conhecer Fernão. É o homem que Euclides manda para buscar sua futura noiva. Cécile está no Rio de Janeiro, ela tem que ir para Vila Rica, onde reside o seu futuro noivo. Vila Rica, que fica em Minas Gerais. Fernão ao olhar para Cécile tem um julgamento de ser um francesa com o “nariz em pé”, mas ele logo se engana quando ela mostra a sua fúria e descontentamento para o casamento forçado. 

Durante a viagem ao destino para Vila Rica, todos que estão diante dessa missão de levar Cécile, estão em uma aventura. Fernão sente algo por Cécile e ela também. Mas, nenhum dos dois demonstram. No fim da viagem, Cécile implora para que Fernão a ajude para não casar-se com Euclides. Porém, ele não faz nada. Ele a entrega ao seu patrão. Missão cumprida. Cécile percebe que sua maneira que fora educada na França, não agrada Euclides. Oh mon Dieu! Ela sofre nas mãos desse crápula que diz ainda ser um homem fiel a Deus e a Igreja. É interessante ressaltar a importância da Igreja Católica nesse período. Enfim, Fernão fica triste por ver sua Cécile daquele jeito, e planeja uma fuga.


A fuga! 

Aqui também dentro dessa história temos Malikah a escrava que está grávida, e é do filho do Euclides, o Henrique. Temos também, outros personagens que são escravos Akin e Hasan que tornam-se muito amigos de Fernão e Cécile. Chega o dia da fuga, Fernão,Cécile,Malikah, Akin e Hasan fogem para um lugar chamado quilombo, onde pessoas que não queriam ser escravizadas moravam lá (os escravos), uma espécie de vila. Para os escravos livres de todo o mal. 

Navio Negreiro.

Temos a visão horrenda da escravidão de pessoas vindo da África, até mesmo índios. Não é nada agradável vê-los em situação sub humana, e com mesmo olhar que Cécile tem. É horrível a linguagem que os patrões usavam para falar com eles. A condição de ser superior. Eu lembrei das minhas aulas de História do Brasil e da Literatura Brasileira, porque a cada capítulo tem um trecho de um poema de vários poetas daquela época, que falam desse assunto, ou de outros. Lembro-me rapidamente de Castro Alves, O Navio Negreiro.

“Maldição sobre vós, doutores da lei! Maldição sobre vós,hipócritas!Assemelhai-vos aos sepulcros brancos por fora; o exterior parece formoso,mas o interior está cheio de ossos e podridão.”
Evangelho de São Mateus,cap.XXII,
Castro Alves, “Confidência”,
em Os escravos.


Cécile casa-se com Fernão para que não seja capturada por Euclides. No começo, o casamento deles é uma farsa, porém com o passar dos dias, nós percebemos o amor que um sente pelo outro. Tem muita aventura para acontecer. Mas, me sinto mal em contar tudo, deixo que vocês possam ler o livro. 

Eu adorei linguagem do livro, porque é português de Portugal, para vivenciamos à época até no idioma. Mas, a história é toda em português brasileiro, com as palavras da do período contado. Como Cécile é francesa, às vezes ela fala algumas palavras em francês. É muito bom isso. E nós nos sentimos estrangeiros nas nossas próprias terras brasileiras. É assim que vemos Cécile maravilhada e assustada pela nossa terra. Observamos o desconhecido. As paisagens, os animais, a cultura misturada. Tem muito dialeto africano. Tem canções. E um apelido muito amoroso que Fernão sempre chama Cécile: “mi iyaafin”. Eu não vou falar o que significa. Terão que ler o livro. Nas últimas páginas do livro tem os significados das palavras, isso é ótimo. Assim aprendemos as palavras novas e o que significam. Eu gostei muitíssimo do livro. E quero ler o segundo livro, que conta a história de Malikah. Eu queria falar muito mais sobre a história, todavia eu não vou contar, acredito que seriam spoilers. Vocês não vão se arrepender de ler. Eu amei o final. E vamos dar importância para os livros brasileiros, autores e autoras brasileiros. Vamos ler os nacionais! Vamos vivenciar a nossa cultura. Somos tão ricos de literatura, e não sabemos disso. Até a próxima. 

Minha reação depois da leitura.


Título: O amor nos tempos do ouro
Autoras: Marina Carvalho
Editora: Globo Alt
Páginas: 328
Ano: 2016
Onde comprar: Amazon 
Classificação: 5/5














Autora: A presença da literatura na vida de Marina Carvalho foi essencial para que ela se tornasse escritora. Mineira de Ponte Nova, jornalista, professora, ela sente a necessidade de colocar sua vivência e suas histórias no papel.