10 agosto 2017

Quinta do terror: Luz, o Deus do horror - Andrei Simões


“ Por uma coincidência nefasta, a porta do quarto se abriu e o que seria apenas um clichê de história de terror, na realidade se tornou o pior momento da minha curta vida,quando o palhaço na escuridão começou a caminhar em direção à porta, onde meu irmão caçula, alheio à cena, movia-se à sua cama para completar sua noite de sono.”





Título: Luz O Deus do Horror
Autor:  Andrei Simões
Editora:  Twee Editora  
Páginas: 219
Ano: 2016  
Onde comprar:  Aqui.

Sinopse:  E se o regente deste mundo não se chamasse Amor?E se o medo fosse o alimento e instrumento de controle de um deus humano, demasiadamente humano?Obras de terror vão muito além do susto e do medo. A ficção, a fantasia, o terror de seres sobrenaturais podem também servir para nos fazer pensar sobre a nossa realidade e a do mundo.         Dentro deste contexto, um jovem busca vingança de um anjo em forma de palhaço, enquanto sua amiga Nina quer apenas justiça. Entrando em uma espiral descontrolada de seres que habitam os pesadelos mais assustadores da espécie humana, a boneca, o fantasma de uma criança, o monstro da estrada, o quadro mal-assombrado e outros arquétipos do gênero, as personagens deste livro se depararão com o mais puro horror e descobrirão verdades que poderão alterar o curso da própria vida humana.         Em cada capítulo, histórias de um terror absoluto serão contadas, através de gritos ecoantes em vários lugares do mundo, de uma capital na Amazônia brasileira a um esquecido vilarejo chinês; todas diretamente interligadas, em um romance seriado que se direciona a um clímax épico, surtado, filosófico e inesquecível. Afogando-se no próprio sangue, o ser humano conseguirá se libertar das correntes que ele mesmo criou para si?Na intensidade de um soco literário, Luz é um retrato atualíssimo sobre a ausência de crença em nossas existências, diante de um mundo de alienação social e religiosa que nos impõe nada além de medo e controle, o vigiar e punir de cada dia. Divertido. Apavorante. Reflexivo. Uma homenagem e ao mesmo tempo uma profunda e original subversão ao gênero de terror e horror, Permita-se. Abra este livro e entenda que só amamos a luz porque temos medo do escuro."
 


Este livro é um surto.Ou um espasmo.É pra gritar.É pra rir.É pra pensar. Ou nada disso.E o que é realmente terrível, o grito livre do medo ou a mordaça alienante e silenciosa do controle?Ouse descobrir.


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Bem, o quê falar sobre o livro?! Vou ser sincera com vocês. Não tinha muita vontade para lê-lo. Ainda bem que li. Gostei muito. Seriozão! Muito louco, essa história. Então, que comece o show de horror. (hi,hi,hi).


A história começa com um jovem atormentado pela a morte do irmão que busca vingança, e a amiga dele busca justiça. Dois jovens, e a história que surpreende com o medo e o terror que eles viveram na infância. Parece muito surreal, quando cada um conta a história, porque é algo que não dá para acreditar, por exemplo a jovem, cuja o nome é Nina. Ela foi adotada por um casal chinês que já tinha um filho, a mãe dela era parteira, e havia um riacho onde eles moravam, e lá alguns bebês eram colocados mortos ou para morrer, um dia Nina viu sua mãe e outra coisa com ela. Essa cena é bem estranha. O mais estranho é a relação que a mãe e o filho que tem por bonecas, mas não são quaisquer bonecas, elas são bem diferentes….elas são humanas. Nossa! Tem duas cenas que me assustaram em relação as bonecas. A primeira, quando o irmão mais velho já está casado. Sua esposa fica assustada quando ele resolver leva a sua boneca para morar com eles. Em, uma noite a esposa desce e vai até a cozinha para beber água, quando ela vira, no balcão está uma garotinha, com a boca costurada. Ela queria avisar a esposa sobre algo, se não me engano, talvez seja sobre a boneca ou a sogra, não lembro bem. E o segundo, é o final do “conto” quando a mãe de Nina tem afeto pela boneca, é muito bizarro. E o medo que senti lendo a cena.


Cada capítulo é um “conto” que terá uma grande explicação no final da história, no qual é genial. Já havia percebido, mas fiquei ainda surpresa.Todos os contos são bem tensos, cada uma mais louco que o outro, e dá medo. Eu tenho alguns preferidos: A Noiva, O Quadro, O Espantalho, O Estranho Caso da Barata Branca, este é bem tenso, e surreal.
Todos esses contos giram em torno da história desses dois jovens. Às vezes pode até parecer confuso, porém é bem explicado pelo narrador. A narração varia em primeira e terceira. Todo universo construído a partir de uma história é incrível. Você veem os dois “protagonistas”, mas às vezes eles nem são mais os principais personagens da história, são outros.
Eu gostei muito da linguagem escrita, é muito filosófica. E bem sarcástica e muito crítica.


“Não sei como o mundo pode pedir por sermos gratos a este sistema de quase escravidão que precisamos nos sujeitar para poder comprar o pão e o chão e teto, devaneou o cansado funcionário ao fim de seu expediente. E continuou: - Preciso realmente agradecer pela oportunidade de ser só uma peça de um sistema que não parará por um segundo, se eu quebrar, substituindo-me no momento seguinte.”


Gosto muito como o leitor é uma chave importante na história. Acredite ou não,mas vocês estão na história,sim. Quando vocês começarem a ler o livro,  vocês serão citados como: “ Aquele que lê”, é muito legal, é como o livro falasse conosco. No final, Aquele que lê acontece algo. Não vou contar, sem spoilers. Mas, quando estava lendo, eu fiquei com medo, é como se eu estivesse participando de algo totalmente errado, eu fiquei muita assustada.


É muito interessante ressaltar, o quão é maravilhoso os detalhes na escrita, e como o autor é um biólogo e mestre em comportamento animal,tem muitos detalhes sobre insetos e a natureza.


“Baratas são heroínas da natureza. - pensou a vítima. Não fossem as poucas espécies que se associaram sin antropicamente aos homens, não poderíamos viver no burro e insustentável projeto chamado “ cidade”. Estas pequenas e aguerridas operárias limpam o que não queremos ver. Nosso lixos bueiros, esgotos. Sem elas, afundaríamos em nosso lixo e excrementos em uma semana.”




O medo é abordado em todo o livro, todavia de uma forma diferente, com humor, sarcasmo, ironia, crença, alucinações, críticas...Enfim, é uma obra que deve ser lida com calma, mesmo sendo um livro “curto”. É preciso prestar atenção, nas ações dos personagens, nos “contos”, senão fica difícil de entender a história.
E como não leio muitos livros nacionais, e pior ainda regionais...eu esqueço como eles são bons,por causa da escrita. Que belo idioma é o português. Amei a ortografia, e com a nova. E as palavras rebuscadas?! Nossa! Que maravilhoso. O livro também enriquece o vocabulário, e neste caso o livro tem muitas palavras que não tinha tanto contato. No livro há várias citações de pessoas importantes, e cada conto tem uma imagem bem estranhas e assustadoras, são os personagens de cada conto. E por último, gostei muito do final, a narração dá uma trollada, mas depois fica de boa! Sem spoilers!
Então, leiam esta obra de terror. Até a próxima, Aquele que lê.


Encontrem a Luz!

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Sobre o autor:







Utilizando filosofia, ciência e ocultismo, navegando entre o realismo mágico e o horror, Andrei Simões procura instigar e provocar o leitor, com literatura minimalista e direta, mas profunda, utilizando de símbolos obscuros do inconsciente para trazer à tona difíceis, mas necessárias reflexões sobre a vida e a morte.