08 junho 2017

Quinta do Terror: A Menina Submersa - Caitlín R. Kiernan


“ Vou escrever uma história de fantasma agora”, ela datilografou.
“ Uma história de fantasmas com uma sereia e um lobo”, datilografou mais uma vez .
Eu também datilografei.


Título: A Menina Submersa - Memórias
Autor: Caitlín R. Kiernan
Editora: DarkSide Books
Páginas: 320
Ano: 2014
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Sinopse: A Menina Submersa - Memórias é um verdadeiro conto de fadas, uma história de fantasmas habitada por sereias e licantropos. Mas antes de tudo uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Um romance repleto de camadas, mitos e mistério, beleza e horror, em um fluxo de arquétipos que desafiam a primazia do 'real' sobre o 'verdadeiro' e resultam em uma das mais poderosas fantasias dark dos últimos anos. Considerado uma 'obra-prima do terror' da nova geração, o romance é repleto de elementos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica, e vencedor do importante Bram Stoker Awards 2013. A autora se aproxima de grandes nomes como Edgar Allan Poe e HP Lovecraft, que enxergaram o terror em um universo simples e trivial - na rua ao lado ou nas plácidas águas escuras do rio que passa perto de casa -, e sabem que o medo real nos habita. O romance evoca também as obras de Lewis Carrol, Emily Dickinson e a Ofélia, de Hamlet, clássica peça de Shakespeare, além de referências diretas a artistas mulheres que deram um fim trágico à sua existência, como a escritora Virginia Woolf.
“Este livro é o que é,
o que significa que ele pode não ser
o livro que você espera que seja.”
CRK


Que livro senhoras e senhores! Que livro! Eu já havia colocado na minha lista de livros para ler, mas sempre deixe-o para trás. Acreditando que era uma história chata. Não é.

É uma história incrível e sensacional. Vejamos, é uma narração em primeira pessoa e às vezes pode estar na terceira. Um ponto dessa história: muito confusa. Às vezes você se perde do que é real e o que é o imaginário da personagem. Sem mais delongas, vamos falar da história que surpreendeu a mim mesma.

Conta história de India, mas para os íntimos como eu, ela prefere ser chamada de Imp. Ela sofre esquizofrenia e tem tendência para o suicídio. Nossa! Calma que isso nem a missa metade. A tia-bisavó, a avó e a mãe, todas cometeram suícidio. Mas, Imp toma vários remédios sempre vai às consultas com a psiquiatra. Tudo normal! É óbvio que não. Imp, começa a escrever histórias tão malucas sobre sereias, lobos, bruxas...enfim. Ela vai na biblioteca para fazer pesquisas para as suas histórias, mas como ela prefere chamar de contos. Ela é uma artista, pinta quadros e vende, porém ela trabalha em uma loja.

Imp escreve em uma máquina de escrever, por isso o gif acima. Não é uma história de anos atrás, acontece em meados de 2006...e ela prefere escrever na máquina de escrever. Sempre vai estar no livro esse verbo “datilografou”. De vez quando ela erra, e risca a palavra. A história é dentro de um livro, entenderam? Tudo bem. É a história da Imp, contando a vida dela e as histórias que ela escreve.
“Imp datilografou: “ Naquela noite, no museu, mesmo se ela escondeu a verdadeira face, não mentiu para você. Ela respondeu a todas as perguntas. Avisou sobre o que vinha, mesmo se o aviso foi velado. Na melhor das hipóteses, isso é um paradoxo”.
“Imp datilografa. Eu datilografo”. “Vejo isso também”.
Confuso?! Talvez. É assim no decorrer da história. Imp mora com a namorada, mas não vou explicar muito a história dela. É tão emocionante. Vou contar só um pouco, Abalyn fora um rapaz, é um transsexual. Pronto! Essa relação das duas é uma ponte de ajuda para Imp, porque de acordo com os contos que ela escreve, as pessoas que ela conhece, isso acaba afetando a saúde mental dela. Um grande exemplo disso é uma mulher que a Imp ajuda quando ela a encontra nua em uma estrada à noite. Chama-se Eva Canning. Grave muito bem esse nome. Vai aparecer até o final do livro. É uma história bem bizarra, acreditem. Imp tem uma relação forte com o mar, que é uma ligação também com a Eva. Imp tenta sentir essa presença do mar na banheira, ela quer afogar a lagosta que tem dentro de sua cabeça. Ou seja as vozes de fantasmas ou outra coisa. Essa parte da lagosta é uma história que avó conta e uma reportagem que ela leu.

O nome do livro não é à toa. A Menina Submersa é um quadro, onde Imp e sua mãe Rosemary vão ao museu como presente de aniversário para Imp. Adivinha qual a pintura que chama mais atenção dela?! Isso mesmo, O Grito de Edvard Munch. Brincadeirinha! A Menina Submersa de Phillip George Saltonstall .

“Quanto aos trabalhos, às vidas, às artes e às cartas, de Phillip George Saltonstall e Albert Perrault, são totalmente inventados por mim, com a ajuda de Michael Zulli e Sonya Taaffe.” p. 316. 

Continuando na história você não sabe se é tudo real os contos da Imp, ou tudo é a pura imaginação dela. Ela sofre várias pressões diante da separação da namorada por um certo tempo (não é spoiler!), do surgimento de pessoas, como pintores, animais. As lembranças da avó e da mãe são bem vivas na história dela. É um livro de suspense, romance e terror. Tem uma cena que me deu medo. É bem no começo do livro, quando ela sai para passear de carro à noite, quando ela passa em frente a um museu, e vê quatro freiras, mas depois se transformam em corvos.

Quando corvos batem em sua janela, é porque alguém está contando mentira.


Tem muitas referências de autores como Allan Poe e H.P Lovecraft. A Aokigahara, a Floresta do Suicídio. Músicas que estão relacionadas ao tema da história como a banda Radiohead. A história da Alice nos País das Maravilhas. É rico em referências. Citam até o Brasil, duas vezes.

A história me prendeu do início ao fim. É a história mais confusa que já lera até hoje. Mas, adorei. É fascinante a mente humana tanto da autora e da personagem.

Vamos falar sobre a capa e todo resto do livro. É um belo trabalho feito pela editora. Capa dura, com um detalhe de uma libélula na frente, a cor toda é cinza. Por dentro tem folhas, alguns insetos. Acredito que essas imagens fazem parte da sala da psiquiatra da Imp. Porque, ela sempre gostou de insetos. As bordas são das folhas do livro são de cor rosa, e tem uma fita da mesma cor. Vem um marcador de livro e um desenho da capa para pintar.Eu tenho um amor por esse livro. Leiam este livro. Talvez seja confuso demais, mas vamos dar chance as obras que nos faz pensar e refletir a vida. No final da história, tem uma imagem, não vou dizer, vocês que devem descobrir. Na verdade, tem outra no início do livro. No final da história, tem páginas extras que Imp conta a sua vida em certos dias, como fosse um diário. Leiam essa parte, porque é o verdadeiro final. Eu estou muito satisfeita pelo término da história. Eu estou com um nó na garganta para chorar(snif...snif!). Até a próxima resenha.
“Não pare.” datilografou Imp.