27 junho 2017

Cronica: Um minuto para refletir


Temos muito o que aprender, com a vida e uns com os outros. O dia-a-dia, às vezes, faz com que as pessoas apenas existam ou passem umas pelas outras sem um olhar especial.

Tem a rotina, tem as preocupações, tem os sonhos. Tem a nossa vida, o nosso mundo. Mas, tem o mundo do outro também. Parece natural esquecer do outro, não é mesmo? Pois não deveria.

Júlia se formou na faculdade, havia morado o período de graduação longe da família e de alguns amigos, sacrifício necessário para realização profissional. Lá pelo meio do curso – medicina – recebeu a notícia que uma de suas melhores amigas estava doente e teria que fazer um tratamento. Laura e Júlia sempre foram muito próximas, amigas-irmãs, mas com os anos morando longe, nem sempre se falavam mais.

Certo dia, Júlia recebeu uma ligação de sua mãe dizendo que Laura estava muito ruim e já que as férias estavam chegando Júlia podia ir até sua cidade... para dar um apoio a sua amiga-irmã.

Júlia entendeu o que sua mãe queria dizer, não precisava de muitas palavras. Mas, ela tinha uma viagem marcada com o namorado novo e alguns novos amigos e não foi. Passado uns dias que ela embarcou para a viagem de férias chega uma mensagem no celular “Minha filha, a Laurinha não resistiu”. Laura havia estado com Júlia em diversos momentos de sua vida, no colégio, durante as novas experiências de adolescente, a separação dos pais e etc...

O choro foi inevitável, Júlia olhou ao seu redor e não estava onde mais desejaria naquele momento, nem se quer havia se despedido de sua amiga ou dado o apoio que sua mãe havia sugerido a ela. Naquele momento, uns dos novos amigos de Júlia se aproximou, enquanto uns continuaram a se divertir. Ele disse algo que ela jamais esqueceria: “Ju, a vida é rara, às vezes é preciso mais do que ver pessoas, é preciso olhar para elas, enxerga-las”.

O amigo de Júlia a enxergou naquele momento.

Júlia estava encantada com o mundo de possibilidades que outra cidade, outros amigos e namorado proporcionaram a ela. Mas, naquele momento, nada disso faria sentido. Ela entendeu que não importa o mundo de possibilidades que você tenha, é essencial cuidar e valorizar o que fez parte do seu caminho para chegar onde chegou.

Júlia nem de longe era uma garota ruim, mas estava concentrada em seu mundo apenas. Assim como você pode estar concentrado no seu, julgando Júlia agora.

E, para você, ela deixa um pedido de reflexão: Até que ponto estou cego com o meu mundo e apenas vejo as pessoas, mas não as enxergo?

Hoje vale enviar aquele mensagem de “saudade”, “como foi seu dia?”, “quanto tempo! Como você está?” ou qualquer outra coisa especial que você queira. Não deixe para amanhã. Valorize as Lauras que você encontra pelo caminho da vida.