11 maio 2017

Quinta do Terror: Psicose - Robert Bloch


“Mary começou a gritar. A cortina se abriu mais e uma mão apareceu, empunhando uma faca de açougueiro. E foi a faca que, no momento seguinte, cortou o seu grito.”“E a sua cabeça”.

Título: Psicose 
Autor: Robert Bloch
Editora: DarkSide 
Páginas: 240
Ano: 2013 
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Sinopse: Livro que deu origem ao mais famoso filme de suspense de todos os tempos. Psicose conta a história de Marion (Mary) Crane, que foge após roubar o dinheiro que foi confiado a ela depositar em um banco. Ela então vai parar no Bates Motel, cujo proprietário é Norman Bates, um homem atormentado por sua mãe controladora. Belo suspense, de tirar o fôlego! 








“Meu filme Psicose veio todo do livro de Robert Bloch”. Alfred Hitchcock
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Para fazer esta resenha, é a segunda vez que leio o livro. Bem, é um livro famoso, principalmente pelo filme de Alfred Hitchcock. Quando eu o li pela primeira vez, fiquei muito impressionada pela história, na qual me prendeu do começo até o fim. Sabe aquela cena do banheiro? Que a moça grita, e no fundo musical tem ( tam, tam, tam,tam). Pois bem, era única coisa que sabia do filme. Vamos ao livro.

Conta história de Mary que “pega” o dinheiro do seu patrão que depositaria no banco, mas ela tem um plano. Ela quer mudar de vida, casar-se com Sam, seu “namorado”, no qual moram distantes. Ajudaria o Sam apagar as dívidas deixadas pelo pai, e moraria na cidade com ele. E ajudaria a sua irmã mais nova, dando uma quantia para que pudesse viver melhor.

Ao longo do caminho, ela troca de carro, para que não a procurem. Como está chovendo muito e a estrada está em construção, ela pára em um Motel. Neste lugar mora Norman Bates e sua mãe. Um lugar estranho e distanciado da cidade. Porém, ela entra no Motel para passar à noite, e de manhã continuar a sua trajetória para encontrar o Sam. Tudo isso arquitetado na cabeça de Mary. Veja bem, Mary não é uma pessoa ruim, fora seu passado que ainda prejudica em suas escolhas, ela poderia pensar em outro plano sem se meter em um problema, mas não fez. Ela assina um nome falso no caderno do Motel. Janta com o Norman, tem um diálogo no começo normal, mas ele se exalta ao falar da mãe que está doente. Mary decide voltar ao quarto e descansar, dispensando o Norman para mais uma conversa “amistosa”. Ela decide tomar um longo banho antes dormir….Coitada, mal sabe o que a espera. Sem spoilers. 

Norman tem uma difícil vivência com a mãe. Isso já mostra nas primeiras páginas do livro e até o final da história. Quando você terminar de ler o livro, descobrirá um grande mistério que paira na história. Isso é sério. Eu fiquei muito surpresa quando eu descobri a verdade. Foi a genialidade do autor. Tem humor no livro, é muito inteligente as cenas. Adorei a escrita do autor. 

Norman, é um homem que vive à sombra de sua mãe, desde criança. Ele é anti-social. Não tem amigos, apenas fala com as pessoas devido ao trabalho no Motel, mesmo não querendo. Ele adora ficar lendo. Ele é muito inteligente, a partir dos seus conhecimentos de seus livros, no qual não bem visto pela sua mãe, que acredita que tudo é uma grande bobagem. Mal ela sabe que isso não é uma bobagem, e sim um alerta que ele sempre fizera a ela sobre sua relação de “ mãe e filho”.
“ Você odeia as pessoas. Porque, na verdade, você tem medo delas , não é? Sempre teve medo, desde pequeno. Melhor se enroscar em uma cadeira debaixo de um abajur e ler um livro. Você fazia isso há trinta anos e continua fazendo agora: se esconder entre páginas de livro.” 
“ Mas só queria explicar uma coisa à senhora. É o que eles chamam de Complexo de Édipo. Achei que se nós dois pudéssemos examinar juntos racionalmente o problema e tentar compreendê-lo, talvez as coisas mudassem para melhor”.
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O que é Psicose?

De acordo com um artigo sobre psicose: Psicose - diagnóstico, conceitos e reforma psiquiátrica

Freud, em 1924, em seu escrito A perda da realidade na Neurose e na Psicose, permite entendermos a psicose como um distanciamento do ego (a serviço do id) da realidade, com predomínio do id (e não o princípio da realidade) sobre o ego em si. Ele estabeleceu a existência de duas fases para o desenvolvimento de uma defesa psicótica diante um estímulo. Inicialmente, o distanciamento do ego para muito além da realidade do estímulo apresentado; em seguida, uma possibilidade de tentar reparar o dano provocado pelo distanciamento, por meio do restabelecimento dos contatos do indivíduo com a realidade que o cerca, mas à custa do id (SOARES e MIRÂNDOLA, 1998).

Portanto, a psicose tem como núcleo estruturante central a prevalência do princípio do prazer sobre o princípio da realidade. Dessa forma, as funções do ego são prejudicadas, caracterizando o contato do indivíduo psicótico com seu mundo externo como um ambiente restrito ao seu universo interpsíquico, ou seja, um mundo só seu.

Vamos explicar. O primeira ponto da psicose inicial, é “o distanciamento do ego para muito além da realidade do estímulo apresentado”. Essa parte explica como Norman Bates tem dificuldade de relacionamento com a mãe, e com as outras pessoas. No qual, a sua fuga é a leitura, isto é visto na história, a sua preferência de ler um livro ao invés de ficar no Motel. Ele é obrigado a ficar no trabalho, porque a sua mãe manda.

A segunda parte “uma possibilidade de tentar reparar o dano provocado pelo distanciamento, por meio do restabelecimento dos contatos do indivíduo com a realidade que o cerca, mas à custa do id “. Mesmo o Norman tendo problemas com a mãe, ele continua obedecendo-a, mesmo não querendo. Ficar no Motel, escutar as palavras que ela sempre diz a ele, o desprezo, o modo que ela o culpa por não ter ido embora, se casado...ter uma vida sem ela. Mesmo ela sendo uma vaca, desculpa expressão, mas ela é. Ele está sempre ao lado de sua mãe, porque ambos se protegem. 


O que é o id? Que foi falado no artigo.



O Id seria como a divisão mais primitiva da mente, praticamente o inconsciente em si. Digamos que seja o lado “ selvagem” do homem, correspondendo aos nossos desejos, vontades e impulsos. ( Gessica Santos estudante psicologia).

De acordo com as ações de Norman Bates, às vezes é dito nos diálogos entre ele e mãe, o quanto ele tem vontade de matá-la ou sumir com ela. Se isso ocorrer, ele não vai sentir culpa. Porque, os valores morais do Superego, não foram assimilados por ele. São os valores que tem na sociedade. As ações de raiva, medo e todos os sentimentos de dor, ele coloca para fora. Gritando com mãe, até mesmo sendo violento.

Isso foi apenas uma explicação sobre o título do livro que é resultado do Id, a psicose. É forma de obter conhecimento sobre o livro, e como é discutido na sociedade.

Tem o livro ( Psicose), o filme do mesmo nome, e uma série baseada no livro chamada Bates Motel. Os três são incríveis. Já assisti o filme e alguns episódios da série. Mas, o livro é o melhor. Então, leia a obra de Robert Bloch, que inspirou uns dos cineastas mais conhecido do mundo, Alfred Hitchcock. Lembre-se da cena do banheiro que e é épico. Da música de fundo. Do suspense que engloba a história e do mistério que existe no Motel Bates, no estranho Norman Bates e sua mãe “doente” que vive com ele. Vale muita a pena ler o livro, é uma leitura que precisa manter a atenção e apreciá-la. Se já leu uma vez, leia de novo. Você tem outra perspectiva da história e começa a entender os personagens e tudo que envolve o suspense.

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