04 maio 2017

Quinta do Terror: Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie

"...um passageiro jaz morto...apunhalado... no camarote."
Título: Assassinato no Expresso do Oriente 
Autor: Agatha Christie 
Editora: Casa dos livros
Páginas: 202 
Ano: 2014 (lançamento) 
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Nada menos que um telegrama aguarda Hercule Poirot na recepção do hotel em que se hospedaria, na Turquia, requisitando seu retorno imediato a Londres. O detetive belga, então, embarca às pressas no Expresso do Oriente, inesperadamente lotado para aquela época do ano. O trem expresso, porém, é detido a meio caminho da Iugoslávia por uma forte nevasca, e um passageiro com muitos inimigos é brutalmente assassinado durante a madrugada. Caberá a Poirot descobrir quem entre os passageiros teria sido capaz de tamanha atrocidade, antes que o criminoso volte a atacar ou escape de suas mãos. 


            Hercule Poirot é um ex-policial belga e um detetive peculiar que utiliza métodos deferentes para desvendar seus casos brilhantemente. Em uma de suas viagens solucionando crimes, ele recebe um telegrama pedindo o seu retorno à Inglaterra para solucionar um caso com uma reviravolta. Assim, Mr. Poirot pega o famoso trem Expresso do Oriente para retornar a Londres, mas durante o percurso, a viagem é interrompida por conta de uma forte nevasca, e um assassinato acontece durante a madrugada.




Na manhã seguinte, Poirot é informado que um homem, conhecido até então por Mr. Ratchett, foi brutalmente assassinado com doze punhaladas dentro de sua cabine. A pedido do Diretor da Companhia que estava na comboio, Mr. Bouc, Poirot é chamado para tentar a desvendar o crime. Começa aí a sua estranha pesquisa lógico-metódica e dedutiva, que utiliza as células cinzentas de seu cérebro para descobrir quais passageiros desse trem é o assassino. 

A primeira vez que li este livro, eu tinha uns treze anos de idade, e me apaixonei completamente pela narrativa de Christie. A sagacidade de um de seus principais personagens, presente em grande parte de seus livros, o detetive Hercule Poirot, prende o leitor à trama do inicio ao fim. 

Lembro de ficar horas tentando entender o raciocínio do detetive, e voltando o livro toda hora na página com o mapa do trem, tentando situar cada personagem e a descrição que cada um fazia sobre o que tinham feito na hora do assassinato.




Mesmo com a metodologia exposta pelo detetive, ficava me sentindo tão perdida quanto o médico ou o diretor da companhia, que auxiliavam Poirot nas entrevistas das testemunhas, e também tentavam entender o raciocínio do detetive belga, sem conseguir chegar a uma solução para o assassinato.

Confesso que já li muitos outros livros da autora, e por vezes, encontro alguns exageros nas mirabolantes soluções descobertas por Poirot. Ainda assim, sua metodologia é formidável, ou Très Formidable!!! - como ele mesmo costuma dizer! É aquele tipo de leitura que coloca ao leitor o desafio de usar o cérebro tentando adivinhar os assassinos das histórias antes de chegar ao final do livro.

Hercule Poirot no Expresso do Oriente

No caso do Assassinato no Expresso do Oriente, o que a mais chama a atenção é justamente a quantidade de pessoas diferentes presentes numa viagem, e a aparente falta de motivos para qualquer um deles ser o assasssino, aparentando este ser um crime sem solução.
"Durante três dias, essas pessoas, estranhas umas às outras, estarão reunidas, a comer e a dormir sob o mesmo teto, sem poderem separar. No fim deste prazo, cada qual tomará o seu caminho e talvez nunca mais se tornem a ver." 
No desenrolar da história, também escrita de forma bastante metódica, com capítulos e partes separados em "Fatos", "Testemunhos" e "Hercule Poirot pára pra pensar", percebe-se que a autora também utiliza a forma de pensar de seu personagem para escrever. O fio da meada começa a se desfazer quando o detetive descobre uma pista da real identidade do morto, e a partir daí começa a traçar uma cronologia de pistas reunindo os testemunhos dos passageiros, tentando interligá-las a um motivo para que houvesse o assassinato. Em uma fala de Poirot:
"...para mim eis o mais interessante do caso - começou - estamos bem longe dos processos rotineiros habituais. Todos esses passageiros que prestaram depoimento falaram verdade ou mentira? não podemos sabê-lo, senão com o auxílio de nosso cérebro."
Assim, muito mais que o susto que se leva em algumas cenas, o que há de melhor nos livros de Agatha Christie é o envolvimento que o leitor sente durante o desenrolar da história, um suspense que não acaba nunca e a curiosidade aguçada pela narrativa que fez da autora a rainha do crime, com mais de 80 romances publicados durante toda sua vida! Nas palavras do personagem Bouc: Nada me surpreenderia agora! Nada! 

Curiosidades sobre o livro :


Escrito em 1933 e publicado em 1934, Murder on the Orient Express se consagrou como um clássico do romance policial, lido por gerações e recorde de vendas ainda nos dias atuais . A obra completou aniversário de 80 anos em 2014, e já rendeu três adaptações cinematográficas, em 1974, 2001, e 2010, vencendo diversos prêmios, como o Oscar e o BAFTA. Está previsto para 17/11/2017 mais um remake do livro, com a direção de Kenneth Branagh, que também atuará como Hercule poirot, e trazendo Johnny Depp como Ratchett .